Vaticano

Papa condena
"armas da morte"

Minas antipessoais mutilam e matam em várias partes do mundo.


A campanha internacional pelo banimento das minas explosivas conquistou mais um importante aliado: o papa João Paulo II.

Durante uma recente mobilização promovida pelo comitê italiano da campanha, realizada na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa João Paulo II engrossou o coro dos protestos pedindo a eliminação total dessas "armas da morte".

O apelo foi dirigido sobretudo aos governantes dos países envolvidos na venda e tráfico de minas. Estados Unidos, Itália, China e Afeganistão estão entre os principais fornecedores.

"Tenham a coragem de escutar o grito das vítimas e de fazer avançar as negociações em curso para pôr fim de vez a essas armas traiçoeiras", disse o papa.


PRONTAS PARA EXPLODIR - Dados divulgados pelas organizações mundiais que vêm promovendo a campanha desde 1991 dão conta de que a cada vinte minutos uma nova explosão de mina provoca a mutilação ou morte de uma pessoa no mundo.

Segundo estimativas, passa de 100 milhões o número de minas ativas no mundo. Uma quantia mais ou menos igual a essa encontra-se armazenada em cerca de setenta países, pronta para ser utilizada em caso de guerra. De 5 milhões a 10 milhões de novas minas são produzidas anualmente.

A conferência das Nações Unidas sobre o tema, realizada em maio de 1996 em Genebra, na Suíça, causou decepção. Os países optaram por uma solução tecnológica: instalar dispositivos de autodesativação nas minas. Os fabricantes vão ter um prazo de dez anos para aplicar essas modificações.


CONTINENTE MINADO - A África é o continente mais minado do mundo, com cerca de 50 milhões dessas armas escondidas em seu solo. Para explodir, basta que uma pessoa ou animal pise sobre elas.

Angola tem entre 8 milhões e 20 milhões de minas e o maior índice mundial de vítimas. Em Moçambique, com cerca de 1 milhão de minas que ainda não explodiram, pelo menos 10 mil vítimas foram atendidas nos hospitais nos últimos anos.

Em fevereiro foi realizada em Maputo, capital de Moçambique, a Quarta Conferência Internacional das Organizações Não-Governamentais sobre as Minas.

Participaram do evento mais de 450 delegados de vários países do mundo. Eles prometeram pressionar os seus governos a assinar o tratado de banimento das minas antipessoais, que será apresentado e discutido em Ottawa, capital do Canadá, em dezembro próximo.

"Eu ainda me sinto capaz de fazer algo nesta sociedade, como um homem normal", afirmou Tun Channereth, 37 anos, durante a conferência. Cambojano, ele perdeu as pernas em 1982 ao pisar sobre uma mina.

Calcula-se que existem hoje no mundo quase 250 mil pessoas deficientes por causa das minas. A média anual de vítimas chega a 26 mil. - APIC/"VIDA NOVA"