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Histórico


"A trajetória da conservação marinha no Brasil coincide com a criação do Projeto Tamar. Há dezessete anos, o Governo Federal, no bojo de uma demanda internacional e de uma consciência ambientalista que foi se adensando na sociedade brasileira, partiu para adotar medidas voltadas para proteger o mar. No início da década de 80, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), posteriormente incorporado ao Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), estabelece a criação de unidades de conservação no mar e implementa projetos específicos para a proteção de espécies marinhas em extinção.

Ampliar os pontos de ação no contexto de uma agenda ambientalista consistiu, sobretudo, em criar reservas biológicas, parques nacionais e, nos meandros dos processos decisórios, reavaliar os parâmetros da interação homem-natureza. Nessa linha, foram instituídos os projetos Tamar e Peixe-Boi-Marinho, a Reserva Biológica do Atol das Rocas, além do Programa de Criação de Unidades Marinhas. Estas iniciativas vieram a chancelar, anos mais tarde, o surgimento dos Parques Nacionais Marinhos de Abrolhos e Fernando de Noronha e a criação das Reservas Biológicas de Santa Isabel, em Sergipe, de Comboios, no Espírito Santo, e de Arvoredo, em Santa Catarina.

A rede protecionista foi, por vários meios, sendo jogada ao mar. Sem, todavia, perder de vista a parceria com a terra. Não havia mais espaço para a perplexidade drummoniana onde o mar deixa de ser alternativa para José que Quer correr pra o mar. Mas o mar secou. E agora?. Era preciso opor criatividade à concepção ultrapassada de vigiar e punir e integrar as comunidades locais às diversas ações protecionistas. O Projeto Tamar consubstanciou todas essas mudanças ao desenvolver técnicas inovadoras de conservação já no início da década de 80 e, sobretudo, por ter incorporado ao Projeto uma dimensão sócio-econômica que se traduz na mudança de comportamento de comunidades costeiras para quem foram viabilizadas novas alternativas econômicas. A partir da proteção das tartarugas marinhas, cujo ciclo reprodutivo vinha sendo incessantemente interrompido pelo homem, o Projeto Tamar ampliou sua área de atuação no Brasil, contando, atualmente, com vinte e duas estações de pesquisa que, distribuídas entre os estados de São Paulo e Ceará, monitorando mais de mil quilômetros de litoral.

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O Projeto Tamar, após 17 anos de trabalho, constitui um exemplo emblemático de alianças. Do homem com a natureza. Da PETROBRAS (primeiro e principal patrocinador) com o Projeto. Do ecoturismo com o artesanato. Da técnica com valores sociais. Da ameaça com a sobrevivência. Da terra com o mar.

Por estas e outras razões, o Projeto Tamar representa um marco na história da conservação marinha nacional. E a ele deve ser creditada a tenacidade daqueles pescadores para quem é doce viver no mar."


texto do Ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause